Faleceu hoje, dia 28 de junho de 2020, Jether Pereira Ramalho. Vai deixar uma lacuna irreparável na vida de filhos, netos, bisneto e seus incontáveis amigos. Se junta, três anos depois, à Lucilia Garcia Ramalho, fiel companheira de uma parceria marcada por amor, por generosidade e pela capacidade de viver com coragem uma época de grandes contrastes sociais e desafios políticos.

 

As diversas fases de sua vida, plena de realizações, revelam características de uma pessoa especial, que, além de cumprir suas atribuições de pai, marido e cidadão, também fez a diferença nos campos sociais e profissionais em que atuou. Esteve dedicado às boas causas coletivas que visavam acima de tudo a busca da justiça social, a reparação das desigualdades, o culto à tolerância religiosa. Da mesma forma, foi intenso o seu engajamento na luta pelo respeito à liberdade e na resistência ao autoritarismo político no Brasil e na América Latina.

 

Após o golpe de 1964, o trabalho político que realizava com outros colegas, por meio das instituições da igreja (protestante), se tornou incompatível com os tempos sombrios trazidos pelos militares. Nesse contexto, foi estudar Ciências Sociais na antiga FNFi da Universidade do Brasil. Mais tarde tornou-se professor de sociologia do IFCS-UFRJ, e ajudou na formação de algumas gerações de cientistas sociais ao longo dos anos 1970 e 1980.

 

A combinação entre o trabalho acadêmico e o exercício político por intermédio da igreja fortaleceu as atividades às quais se dedicou na maior parte da sua vida, buscando permanentemente integração entre diferentes credos religiosos e entre diferentes igrejas em torno de uma ação pastoral ecumênica voltada para a transformação da realidade social do Brasil e da América Latina. Nessa perspectiva tornou-se um dos principais articuladores do CEI (Centro Ecumênico de Informação) nos anos 1960 e nos anos 1970 e um dos fundadores do CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação) e realizou também um importante trabalho como editor da Revista Tempo e Presença, voltada para o trabalho de base em comunidades religiosas, movimentos sociais, sindicatos e organizações políticas. 

 

Sempre presente nos eventos sociais e políticos de sua época, teve uma vida marcada pela coerência das atitudes políticas em prol de uma sociedade mais justa e melhor. Mas, acima de tudo, se destacou por ser o propagador de um otimismo e de uma seriedade de propósitos que sempre contagiaram todos os seus projetos e amizades.

 

 

Informação: seu corpo será cremado amanhã, no Cemitério do Caju (Memorial do Carmo), em cerimônia restrita à família. Em oportunidade futura, anunciaremos um evento em homenagem à sua vida.

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